‘Golpe do empréstimo’ faz vítimas
Duas amigas, de 35 e 37 anos, contratam suposto serviço após caírem na conversa fiada de estelionatários; resultado: um prejuízo de R$ 13 mil
A onda de golpes continua fazendo vítimas por Bauru. Um episódio recente: golpe de empréstimos bancários feitos via sites. O alerta veio por registros atendidos pelo Procon de Bauru. Nos últimos meses, ao menos seis situações do tipo foram registradas no órgão.
Em uma delas, duas amigas, de 35 e 37 anos, contrataram um empréstimo de R$ 4 mil, mas acabaram caindo na lábia dos estelionatários e perderam R$ 13 mil, valor três vezes maior do que o que precisavam. Resultado, ambas estão endividadas e a família da mulher de 37 anos passando por necessidade.
O caso em questão chegou ao Procon de Bauru, localizado no Poupatempo, e as amigas foram orientadas a registrarem boletim de ocorrência (BO) na Central de Polícia Judiciária (CPJ), que investigará o ocorrido.
MODO DE AGIR
Por comodidade e facilidade, a vítima procura empréstimos pela internet e acessa sites fraudulentos, que utilizam nomes de empresas de soluções financeiras que já não existem mais.
Acreditando na marca, a vítima contrata o serviço por meio de ligação a um 0800 falso e, na sequência, os pedidos de depósitos para que a quantia requerida seja liberada têm início. A crença na falsa promessa de recebimento e o receio em quebrar o falso contrato e ter os dados usados ou cobranças indevidas é o que fisga as vítimas.
"A cada hora era um atendente diferente, parecia mesmo ser a Fininvest. Eu assinei até um contrato mandado por eles, preenchemos tudo com nossos dados e enviamos por e-mail. Depois da aprovação do cadastro, eles começaram a cobrar taxas diferentes. Até para quebrar o contrato eles exigiram que pagássemos", conta a vítima, uma do lar de 37 anos, que pediu para não ser identificada. Foram três semanas de negociações e vários depósitos.
Entre as motivações para as cobranças, os estelionatários alegariam taxas ligadas aos serviços de escritório, ao IOF, à Receita Federal, entre outros. Os valores variavam de R$ 1 a R$ 2 mil e as contas para os depósitos eram sempre de pessoas físicas diferentes.
"Eles prometiam devolver o dinheiro junto com o empréstimo, e eu acabei me endividando com amigos e familiares para pagar", lembra a do lar.
NECESSIDADE
O empréstimo de R$ 4 mil pagaria as contas da casa dela, que ficaram atrasadas depois que o marido sofreu acidente e precisou fazer uma cirurgia. "Agora, estamos endividados com minha amiga e com várias pessoas, estou vivendo à base de remédios e água. Já cortaram a energia elétrica da minha casa e não temos para onde correr", lamenta a do lar em tom de desespero.
Orientada pelo Procon a ir até a delegacia, a mulher e a amiga, que emprestou o nome para a contratação, registraram boletim de ocorrência. Os documentos delas foram bloqueados, mas o dinheiro não foi recuperado.
DESCONFIE
Fernanda Pegoraro diz que o consumidor deve ter cautela ao fechar negócios do tipo, confiando em dados de sites.
"Não se faz esse tipo de contratação se não for em ambiente físico. Se houver dúvida, o consumidor deve ir até o Procon, que pesquisará se a empresa realmente existe e se o contrato está de acordo e resguarda os direitos do consumidor", pontua Fernanda.
São vários os sites fraudulentos que ainda estão online e induzem pessoas ao erro, segundo o Procon. "Eles usam marcas de empresas que já foram muito divulgadas e hoje já não existem mais", observa Fernanda.
Malavolta Jr.
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O delegado Richard Serrano: “É preciso desconfiar”
INVESTIGAÇÃO
Além disso, nenhuma empresa de empréstimo exige quantias do consumidor. "Isso não existe. Sobretudo, é preciso desconfiar, se você empresta dinheiro de uma empresa X, por qual motivo fará um depósito na conta de João?", alerta o delegado Richard Serrano, responsável pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da CPJ.
Segundo ele, toda semana um caso parecido de golpe é registrado na cidade. A investigação depende da quebra de sigilo bancário e telefônico. "Na maioria das vezes, a investigação é interrompida e remetida ao município do estelionatário, onde a vantagem indevida foi concretizada. O Nordeste ganha em disparada", cita o delegado. E a probabilidade de prisão do acusado é praticamente nula.
SERVIÇO
Para orientações e denúncias ao Procon ligue 151, que funciona de segunda à sexta das 8h às 17h. A unidade do Procon da cidade funciona na av. Nações Unidas, 4-44, no PoupaTempo, em Bauru.
A Polícia Civil pode ser acionada por meio do telefone da Central de Polícia Judiciária: (14) 3235-6500.
Em uma delas, duas amigas, de 35 e 37 anos, contrataram um empréstimo de R$ 4 mil, mas acabaram caindo na lábia dos estelionatários e perderam R$ 13 mil, valor três vezes maior do que o que precisavam. Resultado, ambas estão endividadas e a família da mulher de 37 anos passando por necessidade.
O caso em questão chegou ao Procon de Bauru, localizado no Poupatempo, e as amigas foram orientadas a registrarem boletim de ocorrência (BO) na Central de Polícia Judiciária (CPJ), que investigará o ocorrido.
MODO DE AGIR
Por comodidade e facilidade, a vítima procura empréstimos pela internet e acessa sites fraudulentos, que utilizam nomes de empresas de soluções financeiras que já não existem mais.
Acreditando na marca, a vítima contrata o serviço por meio de ligação a um 0800 falso e, na sequência, os pedidos de depósitos para que a quantia requerida seja liberada têm início. A crença na falsa promessa de recebimento e o receio em quebrar o falso contrato e ter os dados usados ou cobranças indevidas é o que fisga as vítimas.
"A cada hora era um atendente diferente, parecia mesmo ser a Fininvest. Eu assinei até um contrato mandado por eles, preenchemos tudo com nossos dados e enviamos por e-mail. Depois da aprovação do cadastro, eles começaram a cobrar taxas diferentes. Até para quebrar o contrato eles exigiram que pagássemos", conta a vítima, uma do lar de 37 anos, que pediu para não ser identificada. Foram três semanas de negociações e vários depósitos.
Entre as motivações para as cobranças, os estelionatários alegariam taxas ligadas aos serviços de escritório, ao IOF, à Receita Federal, entre outros. Os valores variavam de R$ 1 a R$ 2 mil e as contas para os depósitos eram sempre de pessoas físicas diferentes.
"Eles prometiam devolver o dinheiro junto com o empréstimo, e eu acabei me endividando com amigos e familiares para pagar", lembra a do lar.
NECESSIDADE
O empréstimo de R$ 4 mil pagaria as contas da casa dela, que ficaram atrasadas depois que o marido sofreu acidente e precisou fazer uma cirurgia. "Agora, estamos endividados com minha amiga e com várias pessoas, estou vivendo à base de remédios e água. Já cortaram a energia elétrica da minha casa e não temos para onde correr", lamenta a do lar em tom de desespero.
Orientada pelo Procon a ir até a delegacia, a mulher e a amiga, que emprestou o nome para a contratação, registraram boletim de ocorrência. Os documentos delas foram bloqueados, mas o dinheiro não foi recuperado.
DESCONFIE
Fernanda Pegoraro diz que o consumidor deve ter cautela ao fechar negócios do tipo, confiando em dados de sites.
"Não se faz esse tipo de contratação se não for em ambiente físico. Se houver dúvida, o consumidor deve ir até o Procon, que pesquisará se a empresa realmente existe e se o contrato está de acordo e resguarda os direitos do consumidor", pontua Fernanda.
São vários os sites fraudulentos que ainda estão online e induzem pessoas ao erro, segundo o Procon. "Eles usam marcas de empresas que já foram muito divulgadas e hoje já não existem mais", observa Fernanda.
| Malavolta Jr. |
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| O delegado Richard Serrano: “É preciso desconfiar” |
INVESTIGAÇÃO
Além disso, nenhuma empresa de empréstimo exige quantias do consumidor. "Isso não existe. Sobretudo, é preciso desconfiar, se você empresta dinheiro de uma empresa X, por qual motivo fará um depósito na conta de João?", alerta o delegado Richard Serrano, responsável pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da CPJ.
Segundo ele, toda semana um caso parecido de golpe é registrado na cidade. A investigação depende da quebra de sigilo bancário e telefônico. "Na maioria das vezes, a investigação é interrompida e remetida ao município do estelionatário, onde a vantagem indevida foi concretizada. O Nordeste ganha em disparada", cita o delegado. E a probabilidade de prisão do acusado é praticamente nula.
SERVIÇO
Para orientações e denúncias ao Procon ligue 151, que funciona de segunda à sexta das 8h às 17h. A unidade do Procon da cidade funciona na av. Nações Unidas, 4-44, no PoupaTempo, em Bauru.
A Polícia Civil pode ser acionada por meio do telefone da Central de Polícia Judiciária: (14) 3235-6500.
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