Saiba quando o consumo excessivo pode ser considerado doença

Distúrbio da oneomania afeta a vida social e financeira de cerca de 600 milhões de pessoas, quase 8% da população mundial 

Não é difícil encontrar pessoas viciadas em compras, cujos hábitos cheguem a comprometer a vida social e financeira. Na era da internet, o problema parece ter se agravado, com uma nova geração de compradores compulsivos.

Seja em lojas presenciais ou online, comprar e gastar dinheiro é sinônimo de realização e felicidade para muitas pessoas. Resistir a palavra "Liquidação" pode até se mostrar um verdadeiro desafio. Mas quando será que o hábito de comprar passa dos limites?

O cantor Rodrigo, da dupla Chininha e Príncipe, também não resiste a tentação das compras, mas apesar de admitir que compra bastante, nega que tenha um vício.
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Rodrigo possui mais de 100 pares de tênis. E também comprou um piano de calda de R$ 40 mil, antes de saber tocar o instrumento. Mas algumas compras custaram ainda mais caro. O cantor chegou a gastar R$ 300 mil com um carro novo, mas precisou vendê-lo para quitar as dívidas do cartão de crédito.
 
"Fui extrapolando, e quando eu vi, pra sair daquilo era um empréstimo no banco, que eu iria adquirir mais uma dívida. Ou desfazer de algum bem material grande."
Rodrigo Príncipe
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Distúrbio psicológico
A psicóloga Taíssa Moreira revela que comprar compulsivamente é uma doença, e tem nome, "Oneomania". O distúrbio tem origem emocional, de fundo psicológico, e pode levar a consequências psiquiátricas. Entenda como identificar os sinais desse transtorno.
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Como identificar o distúrbio?
  • 1.
    O comprador compulsivo sente euforia na hora da compra
  • 2.
    Mas não demora muito, e é tomado pela culpa, por gastar com algo que não precisa
  • 3.
    E o difícil é aceitar. A maioria nega, ou nem percebe que está doente
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 8% da população do planeta sofra com a doença, o que equivale a mais de 600 milhões de pessoas. Porém o distúrbio não é de hoje. Historiadores contam que o consumo excessivo teria começado por volta do século 19, quando o então imperador da França, Napoleão Bonaparte, proibiu as damas de repetirem as roupas na corte, para impulsionar a indústria têxtil no país.
O mal da internet
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Com a tecnologia presente em nossas vidas, a internet estimula quem já tem uma compulsão por fazer compras. O acesso fácil e a comodidade com o computador e o celular, podem levar ao exagero.

A estudante Alexia Vargas admite que, por estar sempre em frente ao computador quando está em casa, acaba exagerando nas compras.
 
"Minha saída são as compras. Se estou de "TPM" tenho que pelo menos entrar no site e comprar alguma coisa. Nem que seja uma capa de celular. Porque aí me sinto bem, aquele sentimento de satisfação."
Alexia Vargas
Alexia costuma fazer compras virtuais pelo menos duas vezes por semana, em especial de produtos de beleza e maquiagem. Ela chegou a fazer um plano de assinatura mensal de um site, o que significa compras fixas todos os meses.
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A oneomania é uma doença que afeta não só o psicológico, mas também o financeiro. Muitos compradores compulsivos acabam por ficar endividados. Mas ainda que o hábito esteja fora do controle, há tratamento.

A psicóloga Taíssa Moreira explica que, quando é confirmado como uma doença, é indicado ao paciente a psicoterapia, em especial a abordagem da terapia cognitivo-comportamental (TCC), aliada à medicação, estipulada pela área da psiquiatria.
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A TCC ajuda muito com esses impulsos, por trabalhar os pensamentos e sentimentos do paciente. Identificar quais situações o levam a agir dessa forma e ter esse comportamento disfuncional.

Taíssa aponta que, na hora das compras, é importante priorizar a necessidade, e se perguntar se o item é realmente útil, ou apenas algo para satisfazer a vontade momentânea.

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